À medida que o ano chega ao fim, a conversa muda rapidamente para o que vem a seguir. Novos objetivos, novos hábitos, novas versões de nós próprios. Janeiro é muitas vezes apresentado como um botão de reset, uma folha em branco pronta a ser preenchida.
Mas a maioria das resoluções de Ano Novo não falha por falta de motivação. Falha porque salta um passo essencial. Avança-se sem parar para compreender como o ano anterior realmente aconteceu.
Olhar para trás não é ficar preso ao passado nem reabrir capítulos antigos. É orientação. Sem reflexão, os novos objetivos são construídos sobre suposições em vez de realidade. Com reflexão, as intenções tornam-se mais claras, mais realistas e muito mais fáceis de sustentar.
Antes de decidires para onde queres ir, ajuda perceber onde estiveste.
O mito do novo começo
A ideia de um novo começo é reconfortante, mas também pode ser enganadora. Um novo ano não apaga hábitos, padrões, responsabilidades ou peso emocional. Levamos tudo isso connosco, quer o reconheçamos ou não.
Quando os objetivos ignoram o contexto do ano anterior, tendem a colapsar rapidamente. Aquilo a que muitas vezes chamamos falta de disciplina é, na verdade, um desajuste entre intenção e capacidade.
A reflexão permite-nos encontrar a realidade de forma honesta, em vez de tentar ultrapassá-la à força.
À medida que me aproximo do final deste ano, o que sinto que ficou por terminar, por resolver, ou que ainda está presente no meu corpo e na minha mente?
Esta não é uma pergunta para resolver ou corrigir. É apenas uma forma de chegares ao ponto onde já estás.
Olhar para trás sem transformar isso em auto-crítica
Muitas pessoas evitam a reflexão porque assumem que ela vai transformar-se em julgamento. Esperam uma auditoria mental de tudo o que correu mal.
Este processo não serve para medir valor pessoal nem desempenho. Serve para descrever o que aconteceu, sem reescrever a história de forma mais dura ou mais simpática do que ela realmente foi.
Se notares que o teu diálogo interno se torna crítico, isso é um sinal para abrandar. A reflexão funciona melhor quando é observacional, não avaliativa.
Se descrever este ano da forma mais honesta possível, sem me julgar nem justificar, que história emerge sobre a forma como vivi, trabalhei e me senti?
Honestidade não é dureza. É precisão.
Ver o ano como um todo
Antes de entrares nos detalhes, ajuda recuar um pouco. Todos os anos têm uma forma. Um tom emocional dominante. Um conjunto de temas que se repetem, muitas vezes de forma silenciosa.
Ver o ano como um todo torna mais fácil reconhecer padrões em vez de ficar preso a momentos isolados.
Se este ano fosse um único capítulo, quais foram os seus principais temas, o tom emocional e os padrões que se repetiram?
Esta perspetiva revela muitas vezes o que realmente esteve a ser trabalhado por baixo da superfície.
Intenções versus realidade
Em algum momento do ano, tiveste intenções. Algumas eram claras e conscientes. Outras eram expectativas vagas sobre como a vida iria correr ou sobre quem pensavas que te tornarias.
Olhar para essas intenções não é um exercício de sucesso ou fracasso. É uma forma de compreender o que foi possível tendo em conta a energia, os recursos e as circunstâncias disponíveis.
Ao olhar para as intenções que tive para este ano, o que avançou, o que não avançou, e o que isso revela sobre a minha energia, capacidade e circunstâncias na altura?
Os resultados são informação. Dizem a verdade sobre o contexto.
Reconhecer o progresso que passa despercebido
Nem todo o progresso é visível. Manter as coisas a funcionar dá trabalho. Estabilidade, limites e descanso raramente parecem conquistas, mas são.
Estas formas silenciosas de progresso são muitas vezes o que torna a mudança futura possível.
O que consegui sustentar, proteger ou melhorar de forma discreta este ano, mesmo que não tenha parecido um progresso óbvio? O que deixei para trás ou deixei de tolerar?
Aqui, muitas pessoas percebem que fizeram mais do que pensavam.
Deixar que a energia guie a reflexão
Para além de objetivos e resultados, o corpo guarda o seu próprio registo do ano. Certos hábitos, ambientes e ritmos apoiam a clareza ou drenam energia lentamente.
Prestar atenção à energia ajuda a sair de um planeamento puramente mental e a entrar num caminho mais sustentável.
Ao olhar para o ano como um todo, o que drenou consistentemente a minha energia e o que a restaurou de forma consistente, a nível físico, mental e emocional?
Quando a pergunta é feita desta forma, os padrões tendem a surgir rapidamente.
Transformar reflexão em direção
A reflexão torna-se útil quando informa a forma como avançamos. Não através de pressão, mas através de discernimento.
Em vez de perguntar onde deves forçar mais, pode ser mais útil perguntar o que precisa de ser ajustado, simplificado ou libertado.
Com base no que este ano me mostrou, o que parece insustentável levar comigo para a frente e o que sinto ser importante criar mais espaço para?
É aqui que a perceção começa a transformar-se em direção.
Definir intenções que encaixam na vida real
As intenções que duram não são construídas sobre versões idealizadas de nós próprios. São construídas sobre a realidade, a capacidade e uma compreensão honesta do que apoia o bem-estar.
Em vez de perseguires grandes resoluções, considera orientar-te por pequenas mudanças com significado.
Se o próximo ano fosse desenhado para apoiar melhor a minha saúde mental, clareza e energia, o que precisaria de fazer mais e o que precisaria de fazer menos?
Quando as intenções são definidas desta forma, tendem a orientar escolhas de forma natural, sem exigir esforço constante.
Levar o ano contigo, não arrastá-lo
O objetivo da reflexão não é fugir ao ano que passou. É integrá-lo.
Quando olhas para trás com honestidade e cuidado, o novo ano começa com mais estabilidade e menos urgência. Deixas de correr atrás da mudança e começas a mover-te com intenção.
A clareza não vem de tentar mais. Vem de prestar atenção.
E a partir daí, o próximo capítulo pode começar com muito mais leveza do que qualquer resolução alguma vez permitiria.
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