Ensinaram-nos que a mudança deve doer
A maioria de nós aprendeu a mesma história sobre a mudança. Se queres melhores hábitos, tens de ser mais duro. Se queres resultados, tens de sofrer um pouco. Se parece difícil, significa que está a funcionar.
Por isso, construímos as nossas vidas com pequenos atos de autopunição. Banhos gelados. Horários brutais. Regras rígidas. Comida de que não gostamos. Exercício que secretamente odiamos. Tentamos intimidar-nos para nos tornarmos na pessoa que achamos que deveríamos ser.
E depois perguntamo-nos por que razão, algumas semanas depois, tudo se desmorona silenciosamente.
Não é porque te falta disciplina. É porque o teu cérebro não foi concebido para funcionar à base de punição.
O teu cérebro funciona à base de recompensas, não de força de vontade
O teu cérebro foi concebido para se aproximar do que sabe bem e afastar-se do que sabe mal. Isso não é uma falha de caráter. É biologia.
Cada hábito que tens, desde lavar os dentes a verificar o telemóvel, existe porque, em algum momento, o teu cérebro aprendeu que fazê-lo criava uma recompensa. Por vezes essa recompensa é prazer. Por vezes é alívio. Por vezes é simplesmente uma sensação de segurança ou controlo. Mas sem alguma forma de recompensa, o hábito nunca se fixa.
É assim que os hábitos se formam realmente. Um sinal desencadeia um comportamento, o comportamento cria uma recompensa e o cérebro decide se vale a pena repetir. Quando a recompensa falta, o ciclo quebra-se.
A maioria das pessoas desenha os seus hábitos ao contrário. Criam o comportamento, mas esquecem-se da recompensa. Ou pior, adicionam punição em cima disso. Acordam cedo, forçam-se a fazer um treino, sentem-se miseráveis e depois criticam-se por não estarem a gostar. Do ponto de vista do cérebro, essa rotina é uma ameaça, não um caminho para o crescimento.
Por isso, ele evita-a. Todas as vezes.
Porque é que a disciplina esgota a maioria das pessoas
É por isto que depender apenas da disciplina funciona para um pequeno número de pessoas e esgota todas as outras. Alguns sistemas nerviosos prosperam com intensidade e pressão. A maioria não. A maioria de nós funciona melhor quando se sente emocionalmente segura, apoiada e motivada com gentileza.
Se o teu sistema nervoso já está sobrecarregado, stressado ou exausto, adicionar mais força em cima não cria mudança. Cria resistência.
O verdadeiro segredo para hábitos sustentáveis é surpreendentemente simples. Tens de fazer com que eles saibam bem.
Isso não significa que cada hábito tenha de ser incrível a toda a hora. Significa que o teu cérebro precisa de algo positivo a que se agarrar. Um pequeno prazer. Um momento de conforto. Um sentido de ritual. Um sinal de que esta é uma coisa segura e gratificante de se fazer.
Os rituais funcionam porque falam com o sistema nervoso
É por isto que os rituais funcionam melhor do que as rotinas.
Uma rotina é apenas uma lista de ações. Um ritual é uma experiência. Tem atmosfera. Tem sentimento. Tem algo que diz ao teu sistema nervoso: "estamos a entrar num estado diferente agora".
Pense em quão diferente é sentar-se e trabalhar em silêncio versus sentar-se com um aroma específico, uma bebida quente e uma playlist familiar. A tarefa pode ser a mesma, mas o teu corpo vivencia-a de forma completamente diferente.
Isto não é conversa fiada. É neurociência.
Quando associas um comportamento a uma recompensa sensorial, crias um atalho no cérebro. O cheiro, sabor, som ou textura torna-se um sinal que diz: "este é o momento em que fazemos esta coisa". Com o tempo, esse sinal, por si só, pode desencadear foco, calma ou motivação.
É assim que os hábitos deixam de parecer esforço e começam a parecer algo a que queres regressar.
Como criar hábitos que o teu cérebro realmente quer
O objetivo não é tornares-te uma pessoa mais disciplinada. O objetivo é desenhar hábitos em que o teu cérebro confie.
Começa pequeno. Escolhe um comportamento que queres repetir. Depois, dá-lhe algo gentil e agradável onde se apoiar. Talvez seja um aroma que usas apenas enquanto escreves no diário. Talvez seja uma goma que marca o início do trabalho focado. Talvez seja um certo chá que bebes antes de fazer alongamentos. Não interessa o que é. O que interessa é que o teu sistema nervoso comece a associar o hábito a algo de que gosta.
Com o tempo, o hábito torna-se menos sobre forçares-te e mais sobre entrar num estado familiar e de apoio.
Porque é que o prazer constrói hábitos que duram
É por isto que os hábitos baseados no prazer são mais eficazes a longo prazo. A punição cria um ciclo de tentar, falhar, sentir vergonha e recomeçar. O prazer cria um ciclo de começar, gostar, repetir e, lentamente, tornares-te o tipo de pessoa que simplesmente faz as coisas.
Não acordas um dia com uma força de vontade perfeita. Acordas um dia a perceber que o hábito já não parece pesado.
Isso é a verdadeira mudança.
Na BlumiLABS, tudo o que fazemos é construído em torno desta ideia. Desenhamos âncoras sensoriais que ajudam as pessoas a associar sentimentos bons a comportamentos saudáveis. O aroma, o sabor e o ritual não são luxos supérfluos. São ferramentas. Ajudam o cérebro a aprender que cuidar de si mesmo é seguro, reconfortante e vale a pena repetir.
Não precisas de te punir para te tornares melhor. Precisas de fazer com que tornar-se melhor saiba bem.
É assim que os hábitos duram.
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